


Escolhemos seis pessoas e tentámos projectar a alma da cada um, representando a sua desmaterialização e prolongando-a “imaterialmente” até ao exterior onde assume um novo protagonismo, e encontra a sua validação, obtendo leituras superficiais que se traduzem no pulsar do real e que são no final catalizadoras de tudo o que pretendemos conjugar, a nossa realidade com a nossa alma, tornando ambas indissociáveis num processo que se abre à essência e compreensão do nosso próprio eu.
É preciso ter cuidado com as evidências e o senso comum. Os critérios de apreciação que aí radicam, resvalam facilmente para o imediatismo e para a superficialidade das apreciações individuais, das nossas acções, da nossa aparência, eloquência, maneira de vestir, de andar...deixando escapar dimensões da realidade bem mais profundas e significantes.
Concepções de universos não-miscíveis repartem-se em interpretações sobre uma realidade que quanto mais se aprofunda, mais teima em escapar à lógica dum sentido unificador e verdadeiro. E há inimagináveis maneiras de se tornearem as evidências, e falaciosamente mostrar apenas a realidade que se quer. Dessa maneira apenas tornamos as imagens superficiais. Estas colam-se na mente, e reduzem o imaginário dos outros. No final destepercurso encontramos o vazio, a ausência de valor e o lugar onde qualquer qualidade que temos, deixa de ter importância. Porém apesar de sermos infinitamente pequenos, podemos romper com os dogmas e questionar os obsoletos conceitos que nos querem impôr, reflectindo sobre a nossa profunda razão de ser e deixar transparecer isso mesmo.






Todas estas fotos permitiram um novo olhar sobre as seis pessoas figuradas neste trabalho. Creio que é atravessar o espelho. Subitamente, encontramo-nos no lado de lá, no meio das pessoas que nos permanecem familiares. Para além das pulsões, dos simulacros e ideias feitas de ausência, representamos e significamos sempre os nossos fantasmas, ideias e valores. Estes estão presentes nas nossas acções, nos nossos desejos de criar mundos ficcionados e principalmente nos nossos sonhos. É assim, que através dos mapas da nossa realidade, induzimos ao lugar do espírito, da essência e da alma. Por tudo isto, vale a pena pensar numa realidade que tem de se construir com grandeza, sagacidade, rigor, determinação, visão e muito sonho, o tal “que comanda a vida”.



Para quem tem uma visão distorcida do Líbano. Bastante distante do preconceito normalmente concebido, a autora dedica o filme “à minha Beirute”, porque a realidade de Beirute não é a que vemos nas notícias, com a omnipresença de um Hezbollah e o conflito israelo-árabe a ensombrar cada minuto.
No seu dia-a-dia, homens e mulheres (é sobretudo sobre estas que o olhar estreante de Nadine Labaki, também protagonista, se foca) são obrigados a lidar com os seus dramas pessoais, pequenos mas não menos importantes que as questões globais que chegam até nós. Com humor, sensibilidade e genuinidade, o argumento de Labaki, Rodney El Haddad e Jihad Hojeily foca-se num círculo de mulheres que se junta em torno do salão de beleza ‘Si Belle’, em Beirute
Neste microcosmos feminino, sob a paleta de cores quentes e luz dourada da fotografia de Yves Sehnaoui, misturam-se culturas, idiomas e religiões sem que isso ponha em causa a amizade e o apoio incondicional destas mulheres umas às outras. Num mundo de homens elas vêem-se obrigadas a lidar com os seus problemas de formas dissimuladas. A subtileza da realização terá a ver com a sensibilidade de Labaki mas não menos com a sua cultura, e menos ainda com a capacidade dos homens dessa cultura assimilarem a verdade. Mas, vendo bem, talvez grande parte dos homens ocidentais sofram de uma incapacidade semelhante.
“Caramel”: o Oriente como um inesperado espelho.
O universo complexo e diversificado da comunicação de massas, compreende a vertente sociológica e semiológica, incorpora sistemas linguísticos, icónicos, simbólicos, o discurso por imagens. Permitindo múltiplas viagens e olhares, ampliam as dimensões do mundo mas ao mesmo tempo tornam-no dependente das sínteses do autor, da sua experiência e das influências que gere.
É assim que repensar a arte pressupõe um domínio critico com vários níveis de complexidade e competências disciplinares, que vão muito para além das formas, consubstanciando o domínio de todos os acontecimentos, enquadrando os espaços de vivência com as profundas leituras e apropriações intertextuais do lugar.







"Tinha um especial interesse em observar aqueles que o rodeavam. Levava uma vida suave, de afastamento, de entrega ao sonho. O Livro do Desassosego, não é dele, mas é ele próprio."
“Só o que sonhamos é o que verdadeiramente somos, porque o mais, por estar realizado, pertence ao mundo e a toda a gente.”
"Tenho fome da extensão do tempo, e quero ser eu sem condições."
"Porque eu sou do tamanho do que vejo, E não do tamanho da minha altura."
"Nunca amamos alguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém."
“Assim organizar a nossa vida que ela seja para os outros um mistério, que quem melhor nos conheça, apenas nos desconheça de mais perto que os outros.”
"Não me indigno, porque a indignação é para os fortes; não me resigno, porque a resignação é para os nobres; não me calo, porque o silêncio é para os grandes. E eu não sou forte, nem nobre, nem grande. Sofro e sonho. Queixo-me porque sou fraco e, porque sou artista, entretenho-me a tecer musicais as minhas queixas e a arranjar meus sonhos conforme me parece melhor a minha ideia de os achar belos. Só lamento o não ser criança, para que pudesse crer nos meus sonhos."
"Eu não sou pessimista, sou triste."
“Vivo sempre no presente. O futuro, não o conheço. O passado, já o não tenho. Pesa-me um como a possibilidade de tudo, o outro como a realidade de nada. Não tenho esperanças nem saudades. Conhecendo o que tem sido a minha vida até hoje – tantas vezes e em tanto o contrário do que eu desejara.”



Devíamos ver a realidade como o ponto de chegada do nosso imaginário e simbolismo, que com a nossa interpretação, a partir de uma recodificação de sentidos, daríamos ao mundo novas hipóteses de leituras.

A caminho da perfeição num devir mais ou menos ficcionado, surgiu a ideia da teoria das cordas para a unificação das teoria das quatro forças numa única, muito mais profunda.
Se as cordas descreviam a gravidade em proporções quânticas então teriam de ser o elo comum unificador das 4 forças: gravidade, força forte, força fraca e electro-magnética. Devemos reconhecer assim a existência de cordas em detrimento de pequenos pontos unitários. E em oposição aos mesmos, estas são maleáveis, transmutáveis e emitem vibrações. A maneira característica como vibram, dá às partículas as suas propriedades únicas como massa e carga
Apesar de sermos infinitamente pequenos, a diferença entre as cordas que nos formam ou as cordas que transmitem gravidade e outras forças é a forma como vibram, a composição destas oscilantes cordas faz com que possamos entender o universo como uma grande sinfonia cósmica e apesar de não haver nada que possa provar esta elegante ideia, não há nenhuma experiência que possa ser feita ou nenhuma observação que negue esta teoria, estando para todo o sempre segura.
A luz inscreve o domínio da matéria abstracta, é construtora e manipuladora de ideias. Denunciando os atributos do mundo das formas, a luz revela realidades que se manifestam através de diferentes tipos de relações e intensidades, jogando a sua ambivalência no duplo objectivo de iluminar e pôr em cena. Através da sua caracterização e proveniência, definem-se atributos do mundo visível e exploram-se as relações com as sombras, tirando partido de várias particularidades e expressões.
Pelas suas diferentes leituras simbólicas, tentei tirar máximo partido da luz, capaz de moldar as emoções, construindo sistemas de ilusão que se implantam sobre o visível. Presidindo assim ao enredo do sonho e conferindo uma dimensão poética, onde podemos reflectir sobre o sentido profundo e essencial, das mensagens que contêm, nas realidades que ajuda a revelar, das interacções que estabelecem e chegar ao lugar a partir de onde se projectam os sonhos.




